 | | A denúncia foi feita por um morador do entorno do Aeroporto Internacional Pinto Martins e endossada por outros. O ruído dos aviões decolando e aterrissando incomoda e atrapalha até o sono, embora parte dos moradores se digam habituados ao barulho. Motivado pela denúncia, o Ministério Público Federal (MPF) instaurou procedimento administrativo para definir ações que minimizem a poluição sonora no local. As medidas a serem adotadas ainda não foram definidas, mas o MPF vai se apoiar na Carta Acústica de Fortaleza, que, conforme o coordenador da equipe de combate à poluição sonora da Secretaria Municipal do Meio Ambiente e Controle Urbano (Semam), Aurélio Brito, propõe a proibição de voos noturnos e circulação de aeronaves mais barulhentas. A restrição de voos no Aeroporto Internacional Pinto Martins gera polêmica. O POVO perguntou a opinião dos leitores e pelo Portal O POVO Online, eles se manifestaram. Em 12 dias de enquete, foram mais de 280 comentários. A maioria contra a proibição, enfatizando que a cidade é turística e a medida afetaria a economia da Capital. "Não concordo. Pois, os voos noturnos possuem tarifas bem mais baratas e nós, consumidores, que convivemos com altas tarifas, seríamos prejudicados com essa medida", opinou Gilberto Feitosa. Por outro lado, há aqueles que são favoráveis à restrição. "Sou totalmente a favor da proibição. Só quem mora nos bairros que são rota das aeronaves sabe o incômodo dos barulhos das turbinas, sobretudo nas decolagens", disse Santiago Rodrigues. Já a internauta Denise acredita que proibir voos noturnos seria um exagero. "Mas reduzir o número de voos entre meia-noite e quatro horas da manhã, poderia surtir um efeito melhor", defende. , O procurador da república Alexandre Meireles, que é procurador-chefe da Procuradoria da República do Ceará, afirma que já teve reuniões com representantes da União, da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) e com a Semam. "Estou esperando o resultado da Carta Acústica", afirma. Segundo a Semam, a Carta Acústica será disponibilizada no site assim que Aurélio Brito, responsável pela pesquisa voltar da Austrália, onde a Carta é apresentada.
Alexandre Meireles afirma que está apenas aguardando o retorno de Aurélio Brito para receber a Carta Acústica, que é o posicionamento da Prefeitura sobre a poluição sonora no entorno do aeroporto. A ideia é resolver a questão administrativamente, sem necessidade de ação judicial. Conforme a Organização Mundial de Saúde, os níveis ideais de ruído não deveriam ultrapassar 50 decibéis. Com os estudos para a elaboração da Carta Acústica, constatou-se que em residências próximas ao aeroporto, os níveis oscilam entre 68 e até 110 decibéis. De acordo com a Infraero, a medida geraria um impacto econômico significativo, pois afetaria o turismo e o transporte de cargas. "Voos internacionais seriam cancelados, junto com alguns voos cargueiros e os passageiros perderiam opções de horário de voo chegando e partindo. Haveria aumento do preço das passagens, pois voos noturnos têm tarifas mais baratas". |